Essa eu não conhecia, e confesso que to de cara… segue abaixo a reportagem:
Na tradução literal, cavalgada sem sela; na gíria, sexo sem camisinha. No Brasil, a finalidade da prática é a busca do sexo livre, mas há quem possua o mesmo objetivo dos barebackers norte-americanos, os inventores da “modalidade”: contrair o vírus da aids. Num comportamento suicida, eles contrariam o discurso politicamente correto de médicos, educadores e militantes de ongs, mas não sem uma série de argumentos, que listamos a seguir:
“Hoje em dia, ninguém morre de aids. Não vemos pessoas definhando e falecendo meses depois de descobrir que têm o HIV.”
É verdade que o coquetel anti-aids é altamente eficiente no controle e no tratamento da doença. A partir de sua introdução, em 1996, criou-se o conceito de soropositividade, ou seja, uma pessoa infectada pelo HIV não necessariamente desenvolve a aids e, mesmo se já apresentar alguns sintomas, pode haver regressão do quadro clínico. Entretanto, a sensação de segurança é falsa, como atesta o Dr. Ésper Kallas, infectologista da Unifesp que desenvolve pesquisas sobre HIV/Aids: “No Brasil, morrem mais de dez mil pessoas infectadas por ano. Exitem vírus resistentes ao coquetel, que não respondem ao tratamento”. Além disso, afirmar que o tratamento é 100% eficaz é ignorar os efeitos colaterais dos medicamentos, que não são poucos nem amenos.
“Em qualquer relação sexual, corro o risco de pegar aids. É melhor me contaminar logo, assim não fico na neura toda vez que transar.”
As informações que acompanham o jargão “use camisinha” são de deixar qualquer um paranóico: ela deve ser colocada logo no início porque a secreção que sai do pênis durante as preliminares e no sexo oral pode conter o HIV, o vírus é transmitido pela penetração, no sexo anal o risco é ainda maior, se a camisinha furar ou estiver mal colocada, já era. Diante de tudo isso, os mais afoitos acham que a aids é inevitável e, para acabar com a ansiedade e a angústia da espera, vão atrás da contaminação.
“O meu parceiro tem. Se eu me contaminar, será uma prova de amor e poderemos abandonar de uma vez o preservativo.” O argumento de que sexo sem camisinha é demonstração de amor e confiança já está mais do que batido, afinal, quem coloca a mão no fogo por alguém corre o risco de se queimar. Mas pensar que o casal pode abrir mão da camisinha porque os dois já são soropositivos é um erro. Existem diferentes tipos de vírus, se cada um tiver um tipo diferente, podem transmitir ao outro, o que se chama reinfecção. “A reinfecção é real. O paciente pode estar tendo sucesso no tratamento, mas ao se infectar pela segunda vez, pode desenvolver um vírus resistente, o que é muito prejudicial. Por isso, a prevenção deve continuar”, explica o infectologista.
“Fui rejeitado pela minha família, não posso me casar nem ter filhos. Não quero morrer velho e sozinho.”
Ainda hoje, muitos homossexuais não podem contar com a compreensão e o apoio da família. Para evitar que recorram a comportamentos auto-destrutivos, uma solução apontada por diversos militantes da causa GLBT é a aprovação da lei da união civil entre gays.
“Os soropositivos têm acompanhamento de médicos, apoio de ongs e de todo um grupo de pessoas na mesma situação. Quero fazer parte deste grupo.”
Por mais que se tente provar que não existe preconceito, os homossexuais ainda sofrem muita discriminação. No senso comum, o certo é ser heterossexual. Quem difere na orientação sexual ou no jeito de se vestir, de falar, de se comportar é excluído, seja na escola, no trabalho ou na igreja. Estando infectado, o indivíduo passa a ser reconhecido socialmente, já que a mobilização contra a aids é forte em todas as frentes sociais.
Há também outros argumentos que fogem à compreensão, como a excitação diante do risco. As bare parties são orgias onde soropositivos e soronegativos transam sem camisinha e o prazer está em passar e contrair o vírus, chamado de “o presente”. Este é o tema do filme The Gift (Louise Hoghart, Eua – 2002). Na Europa, o nome comum para essas festas é Russian Roulette Party (Festa da Roleta Russa). Apenas o anfitrião sabe quem é soropositivo e a graça está em sair de lá com a dúvida se foi “o presenteado” ou não. No início do ano, Caio Blat protagonizou a peça Mordendo os lábios, de Hamilton Vaz Pereira, onde a bare party era chamada de Malebouge.
Estima-se que nos Estados Unidos existam 7 milhões de barebackers. Na Europa, o número fica em torno de 2 milhões. Por aqui, não há dados, mas já existem alguns grupos e festas, embora muito poucos tenham coragem de assumir. Contatamos 25 participantes de comunidades de barebacking na internet, que é onde eles se encontram, mas apenas dois responderam. Um deles foi Rafael Silva Nogueira, que é barebacker há pouco mais de um ano: “O tesão que eu sinto não é pelo risco de pegar aids, é por ser pele com pele. Nunca participei de uma festa bare, mas já fui convidado.”, afirma.
Para testar a popularidade do barebacking, resolvemos entrar num chat de sexo com um nick bem direto – BAREBACK CENTRO/SP 23A. Em meia hora na sala gay, apareceram 9 pessoas que já sabiam do que se tratava e estavam dispostos a sair do virtual e partir para a prática. Já no chat heterossexual, o mesmo nick não fez tanto sucesso. Surgiram cinco parceiros em potencial, que desconheciam o termo bareback, mas topavam na hora sob o argumento de que “sem camisinha é mais gostoso”. A discussão está longe de acabar. O Programa Nacional de Aids do Ministério da Saúde não tem nenhuma ação voltada a esse grupo. Se o barebacking se popularizar por aqui e o número de soropositivos aumentar, pode acontecer um colpaso na saúde pública. Isso porque não há perspectiva de cura, pelo menos pelos próximos anos, e o tratamento, apesar de caro, é oferecido gratuitamente.
Por Larissa Coldibeli – Click 21
Quando eu digo que poderia resurgir os tiranosauros rex pra acabar com o seres humanos vocês não levam a sério…
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